Grécia Vida a bordo

As Cíclades continuam: Amigos a bordo e fortes ventos

Escrito por Renato Matiolli

Essa semana começou em Ermoupolis, a capital das Cíclades. A gente não tinha lido muito boas recomendações da cidade, mas acabou sendo uma linda surpresa, a gente amou o lugar!

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Essa cidade já foi capital da Grécia e é possível ver rastros dos seus dias de glória. Ermoupolis é charmosa e não apenas na entrada do porto, a medida que você vai caminhando pelas ruazinhas internas, as lojinhas, cafés e bares vão ficando cada vez melhores. E quando você chega na praça central, você encontra um prédio lindo que é a prefeitura da cidade, uma construção maravilhosa que supostamente é uma réplica do palácio de Troy, onde Helena viveu. Não é demais?

A gente conseguiu atracar num lugar incrível, bem na frente de uns restaurantes bacanas. E o preço…. 9 Euros para ficar 24h! Demais! Mais barato que muitos estacionamentos para carros em cidades grandes como São Paulo.

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Depois partimos para a ilha Rineia, perto da costa sudoeste de Mykonos. Esse é um daqueles lugares que as pessoas param quando fazem passeios de barcos saindo de Mykonos. Não tinha nada de vento e deu para relaxar.

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Nossa primeira parada em Mykonos foi a praia Psarou, lugar dos ricos e famosos que gostam de festa e exibir seus inacreditáveis yacths (um deles tinha até um tobogã inflável na lateral!). Nunca vimos nada igual. A crise certamente não atingiu esse lugar.

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E como a previsão era para ventos insanos, a gente ficou apenas algumas hora e depois fomos rapidamente ancorar na praia de Ornos, que teoricamente é o lugar mais protegido para ancorar em Mykonos.

Depois de quase 24h ancorados por lá, acreditamos que estávamos seguros e com a âncora bem presa, então eu decidi levar a Katherine para sua primeira aula de kite (que, by the way, foi ótima. Ela aprende super rápido) numa praia lá perto. Mas quando voltamos para Ornos, o Ipanema tinha arrastado pelo menos uns 40 metros e estava prestes a bater em outros barcos e fazer um estrago sério no meio da baía. Chegamos bem a tempo de evitar o pior, voltamos a ancorar e dessa vez colocamos mais 30 metros de corrente para garantir, o que foi ótimo pois não mexemos mais até o dia de ir embora. Mas tenho que confessar que numa baía cheia de mega yachts e mais de 40 nós de vento constante, não é nada fácil ser o capitão, manter a calma e conseguir relaxar.  IMG_0248_Fotor

E por causa disso eu infelizmente não consegui aproveitar muito a nossa estadia em Mykonos. Foi uma pena porque nossos grande amigos do Brasil Fernanda, Cris, Beta e Nancy chegaram um dia depois de nós e estavam loucos para conhecer a ilha inteira, os melhores restaurantes, as baladas, as praias, e não conseguimos acompanhar eles em tudo o quanto a gente gostaria. DSC01172_Fotor

Claro que deu para passear um pouco, mas queríamos ter feito muito mais! Mas não dava para ficar muito tempo sem vigiar o barco.

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DSC01213Um dia antes de partimos de Mykonos a Katherine voltou para sua casa em San Francisco nos Estados Unidos. É sempre tão legal receber amigos queridos, mas tão triste na hora da despedida. Mas por sorte nesse dia a Carol e o Lucas chegaram, um casal super bacana de São Paulo, amigos de amigos nossos, e rapidamente já se acomodaram no barco e estavam nos ajudando com TUDO, desde velejar até cozinhar, arrumar, limpar, etc. A gente até já postou algumas fotos que “roubamos” deles, eles foram conhecer a ilha inteira numa motinho.

Depois de Mykonos, a travessia rumo ao sul foi uma das melhores até agora, tivemos vento forte em popa, o barco, e principalmente a tripulação, se comportou super bem. Passamos pelo temido (pelo menos por mim) canal entre Naxos e Paros, que costuma ter ventos mais fortes que a média, e nós conseguimos velejar até a ilha de Ios.

 

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Ios é conhecida pelas suas praias nudistas e baladas… que combinação potente, não acham? A ilha é muito visitada por uma galera mais jovem, pelo menos de cabeça. Tem umas praias lindas com areia branca, onde o Feijao fez a festa! Acho que é a praia com areia e mar mais parecido com Ipanema que estivemos até agora, e o Feijão ficou louco correndo que nem maluco para cima e para baixo. Graças a Deus ele não correu atrás de nenhum peladão, eu já tava até imaginando ele com o “negocio” de algum cara na boca, puxando de um lado para o outro, todo saltitante que nem um cavalo desenfreado, e nós tendo que domar a criatura e controlar a situação! Já imaginou a cena? Afe! Felizmente nada disso aconteceu e ainda somos todos bem vindos em Ios.

Nossa primeira noite em Ios ancoramos em Milopotas e a segunda na praia Maganari, uma melhor que a outra!

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Bom, aproveitamos até umas 5-6 da tarde quando um vento maluco começou a soprar. Ficou em média uns 50 nós, mas chegou a bater rajadas de 64 nós! Isso mesmo, se-ssen-ta e qua-tro nós!! Estávamos a uns 80 metros da praia e foi suficiente para formar umas ondinhas que batiam no barco. De loucos! Pelo menos estavam todos atentos mas levando na esportiva, foi a melhor companhia que podíamos ter numa situação como essa.

Nossa próxima parada…. a mundialmente famosa Santorini! Que lugar único! Não precisa nem de apresentações, certo?

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Por sorte tinhamos amigos por lá, o Markos e a Alice, que estão trabalhando num veleiro antigo super classudo, o Zik Zak, que eles usam para fazer passeios pela ilha. o Markos é um capitão Grego com mais de 25 anos de experiencia, muita sabedoria e muitas historias para contar. Ele é daquele tipo de pessoa que provavelmente consegue consertar um mastro quebrado no meio com um chiclete e um clips, sabe? Então como qualquer capitão com pouco experiência, eu tentei ficar perto dele o máximo que eu pude, nem que fosse para conseguir absorver um pouco daquela sabedoria por osmose.

Esse casal tem sido incrível com a gente e nos ajudaram a conseguir uma poita para pararmos o barco no melhor lugar da ilha! Bem em baixo de Oia, lugar famoso pelo por do sol, que dizem ser o mais lindo do mundo. Acho que se alguém cuspir de lá de cima cai na nossa cabeça, não poderíamos estar mais perto. Era só pegar o botinho até terra firme, subir umas escadarias e já estamos no meio do centrinho de Oia, incrível! Ficamos MUITO agradecidos pela ajuda, se não fosse por eles, não faço ideia onde eu teria deixado o barco. Santorini é daqueles lugares impossíveis de ancorar pois você se afasta pouco metros da encosta daquelas falésias gigantes e já cai para uns 300 metros de profundidade. Outra dica, se voce quiser velejar por essa ilha, vai no barco de um amigo, não no seu.

11742889_10153488484164393_7129307856865426401_nA Alice é uma garota brasileira que foi abduzida de Fernando de Noronha pelo Markos e agora ela vive feliz em Santorini com ele. Ela ficou sabendo que tinha conseguido a cidadania grega no momento que chegamos em Santorini, então foi a desculpa perfeita pra sairmos todos para comemorar no Dimitris, um restaurante de frutos do mar maravilhoso, com vista para o portinho de Ammoudi, bem em baixo de Oia.

E por falar em porto, na Grécia não é como em outras partes do mundo que eu conheço, sujo e fedorento. Eu não sei como, mas aqui eles conseguem fazer os portos em lugares com água transparente, com os melhore restaurantes, vista panorâmica, etc, etc, etc. E para completar, eles certamente acabam conseguindo os melhore peixes e frutos do mar. O dono do Dimitris as vezes nem espera o barco pesqueiro chegar, ele vai até alto mar encontrar com eles e compra lá mesmo e traz para o restaurante. Não é incrível?

Bom, mas como tudo que é bom dura pouco, já é hora de nos despedirmos dos nossos queridos amigos Fe, Cris, Beta e Nancy, e dos nossos novos amigos Lucas e Carol. A gente certamente consegue ver esse casal velejando por ai um dia.

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E agora estou embarcado para San Sebastian na Espanha, para o casamento de dois queridos amigos, a Sol e o William, enquanto a Sarah e o Feijão estão totalmente encarregados do Ipanema. Tenho certeza que eles vão aproveitar uns dias sem mim, mas eu já estou com saudades daqueles dois pestinhas.

 

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Renato Matiolli

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