Antigua Dog lovers Vida a bordo

Antígua: Hora do descanso
pra nós e pro Ipanema

Escrito por Renato Matiolli

Passamos uma semana em Antígua e para falar a verdade, não amamos. Talvez porque estávamos com preguiça e acabamos não fazendo muitas atividades nem exploramos muito a ilha. Mas para compensar, tivemos uns hóspedes incríveis, um casal mega alto astral, engraçadíssimos, parecia que estávamos num stand up comedy, então não dá muito para reclamar desses últimos dias.

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Para ser sincero, não gostamos da ilha porque estávamos exaustos e ficamos com preguiça de ir conhecer os lugares bacanas como Nonsuch Bay, Green Island e os spots de kite. Olha só o sentimento da semana…

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Brincadeira. Na realidade a Sarah gostou de Antigua bem mais do que eu, mas essa seqüência ficou excelente de decidi colocar no blog.

Nossa impressão inicial foi que a ilha é extremamente cara para serviços básicos e com pouco qualidade, para ter uma ideia, gastamos US$55 numa lavanderia bem meia boca, com uma mulher bem rabugenta, para usar duas máquinas de lavar roupa (e foi só lavar, secar era ainda mais caro, acabamos estendendo todos as roupas pra secar ao sol em volta do barco). Também sentimos que os locais não eram lá muito simpáticos, muito menos acolhedores e muitas vezes mal educados (claro que para tudo há exceções). As praias são maravilhosas, com areia branquinha e super tranquilas, mas por mais que a água fosse de um azul turquesa incrível, a visibilidade é terrível, a água é opaca, meio leitosa, e você não consegue enxergar mais do que 20-30cm na tua frente. E enquanto noutras ilhas percebíamos que as praias eram muito frequentadas pelos locais, por aqui parece que elas são só para os turistas. Mas o pior mesmo acho que foi a quantidade de pessoas meio esquisitas que não tiravam os olhos do Feijão e vinham constantemente perguntar se queiramos vender ele ou se tínhamos filhotes, isso tudo porque rinha de cachorro por essas bandas infelizmente ainda é muito comum. Dá para acreditar? Realmente não dá para entender como que ainda tem gente que participa disso.

É só começarmos a imaginar a possibilidade do Feijão ser sequestrado para colocarem ele numa dessas lutas de cachorro que a Sarah cai aos prantos.

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O ponto alto da nossa estadia foi realmente os hospedes que tivemos a bordo. Nos primeiro dias ainda contamos com a companhia do Duda e da Raquel, eles já são como família e adoramos ter eles no barco, a gente gosta dos mesmos programas e pensamos bem igual. Sarinha e Tebet também ficaram logo melhores amigas.

Em seguida tivemos outra bela surpresa, o casal Cesar e Bel. Parecia que estávamos num stand-up comedy, nos divertimos muito com esses dois. O Cesar é daquele tipo de pessoa que cai nas graças de todo mundo, consegue fazer amizade por onde quer que passe. Ele faz todo tipo de piada, incluindo aquelas não muito politicamente corretas, fala alto, gesticula muito e a Bel entra no jogo, cai na risada junto ou as vezes simplesmente ignora e dá de ombros. É cômico. Que casal comédia! Foi realmente muito bom ter eles com a gente.

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DSC02724_FotorE para melhorar as coisas o Cesar trouxe azeite de dendê, e fez nosso prato favorito: Moqueca! A Sarah não saiu do pé dele e quis aprender o passo a passo, eu não podia estar mais feliz.

Em um dos dias, a Carola, uma das amigas de infância da Sarah, que raramente usa facebook, por acaso viu umas fotos que ela postou de Antígua, e mandou logo uma mensagem dizendo que ela e o marido também estavam por aqui de férias. A Sarah não poderia ter ficado mais feliz, fazia mais de 20 anos que elas não se encontravam. Rapidamente convidamos eles para virem passar o dia com a gente no barco. O João, marido da Carola, é ginecologista, e o Cesar fuzilou ele de perguntas sobre as coisas mais esdruxulas que ele já vivenciou na profissão. O João resolveu entrar na onda e gargalhamos com as inúmeras histórias engraçadas e embaraçosas que ele nos contou sobre os dias de plantão quando ainda fazia residência. Foi uma delícia passar o dia com eles, pena que foi tão pouco.

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E depois de uma semana muito boa foi hora de nos despedirmos do Cesar e da Bel. Mas em compensação em seguida chegaram o Marcelo e a Carol, um casal nota mil de Porto Alegre, que navegarão conosco até St. Martin, passando por Barbuda e St. Barts. Como bons gaúchos já chegaram com o chimarrão debaixo do braço, assim com alguns pacotes de tapioca, esses encomendas da Sarinha. A gente riu muito imaginando se eles tivessem sido parados na alfândega tendo que explicar o que seria toda aquela erva verde e aquele outro pó branco….

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Por mais que a preguiça tenha tomado conta nos primeiros dias de Antígua, mesmo assim ainda passeamos pelo English Harbour, que é bem bonito, Falmouth Harbor, Tranquility Bay, Jolly Harbor e para terminar, ainda passamos uma noite ancorados em Deep Bay, simplesmente maravilhoso!

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No Jolly Harbor nos ficamos alguns dias na marina com a Bel e o Cesar. Dessa forma demos um descanso merecido ao Ipanema. As vezes é excelente ter o conforto e facilidades de se estar em doca: água e energia ilimitados assim como não ter que pensar em como será o nosso próximo ancoradouro.

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No English Harbor e Falmouth Harbor haviam dezenas desses veleiros mega luxuosos, os mais lindos que vimos até hoje. Bem mais classudos que muitos desses mega yacht que a gente vê por ai, que algumas vezes chegam até a ser meio cafonas. Mas esses mega veleiros não, são todos sempre chiquérrimos. Queria era saber quem é esse povo que tem dinheiro para ter uma coisa dessas. Parecem todos ser parte da família real inglesa, não é possível! Eu confesso que respeito quem sabe gastar o sei dinheiro dessa forma, acho que é tipo uma virtude.

Deep Bay acabou sendo o nosso lugar preferido por aqui, nessa baía tem até um naufrágio bem rasinho, uma parte do antigo mastro do barco até sai pra fora da água. Supostamente é lugar maravilhoso para mergulhar, mas a água estava tão leitosa, com uma visibilidade tão ruim que acabamos só passando lá com o dinghy para ver. Fora a má visibilidade da água a baía é incrível, tinham poucos barcos ancorados, a água estava uma delícia para nadar e bem calminha.

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Nós chegamos logo depois que um desses mega veleiros e ancoramos alguns metros na frente deles. Pouco depois vimos um super dinghy passar pela gente com um dos tripulantes rebocando dois desses veleiros pequenos de competição, tipo lazer, até a praia, que eram para as crianças, provavelmente filhas do dono do barco, brincarem. A gente ficou lá tomando sol do nosso deck assistindo a tudo isso. Não demorou muito para as menininhas capotarem o veleiro, elas começaram rindo bastante, mas depois de uns minutos perceberam que não tinham forças para virar ele de volta e estavam sendo arrastadas para cima de um outro catamaran ancorado na baía. O pobre do tripulante que devia estar lá para acompanhar e cuidar delas não tinha muito noção, e também estava apanhando do seu próprio veleiro. Foi ai que eu decidi pular na água e nadar até elas. Elas deviam ter uns 8-9 anos, eram muito fofas e bem espertas. Nós três demos a volta no barquinho e velejamos juntos em direção à praia novamente. Quando estávamos passando perto do Ipanema e eu senti que as meninas estavam em controle novamente, pulei na água e nadei de volta pro nosso barco. Quando cheguei a Sarah estava toda orgulhosa, ela é um amor. Eu fiquei tão feliz de ter podido velejar um pouco aquele barquinho, ele parecia ser novinho em folha e super moderno. Eu podia ter ficado lá horas brincando com aquilo.

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Bom, agora chegou a hora de seguirmos rumo a Barbuda. Não vejo a hora! É provavelmente um dos lugares mais lindo do Caribe em termos de natureza pouco explorada. Mas estou um pouco preocupado, a previsão do tempo mostra rajadas fortes e vamos velejar subindo o vento, o que significa que será uma viagem difícil e desconfortável… E ainda por cima quando chegarmos lá ainda vamos ter que negociar nossa caminho entre as águas rasas cheias de corais até achar um lugar bom para ancorar. Agora é rezar para valer a pena e para não fazermos nenhuma cagada com o casco do nosso barquinho por lá

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Renato Matiolli

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