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Cabo Verde: Um pouquinho de Brasil

Escrito por Renato Matiolli

Esse é o país mais parecido com o Brasil em que já estive. Tem influências Europeias e Africanas, praias maravilhosas, mulheres bonitas, o povo ama música, reclama da vida mas são felizes de mais, o lugar é meio sujo e desorganizado, e com tudo isso a gente se sente em casa. Aqui em Cabo Verde a gente conseguiu descansar, preparar o barco para a travessia, comprar comida, e até ir fazer kite algumas vezes. Durante a nossa semana por aqui nos despedimos de dois tripulantes e em troca conseguimos dois russos. E finalmente, o Feijão completou seus 30 dias de repouso pós-operatório e já está 100%.

Ha apenas alguns km da cidade de Mindelo tem uma praia do lado barlavento, onde entra mais vento na ilha, chamada Salamansa. Os locais da praia são extremamente simpáticos, ótimos anfitriões, sempre a postos para ajudar ou bater um papo. Chegamos com a praia deserta, e o cenário simplesmente maravilhoso, com umas montanhas bem pertinho que levantam alto da areia, e a água do mar mudando de verde para azul claro e azul escuro, até chegar do outro lado na ilha de Santo Antão bem em frente. As condições para o kite aqui são ótimas, tinha um vento maral constante de uns 20 nós com ondas de um metro e umas séries maiores. No lado direito da praia tem uma direita clássica que quebra num coral raso de vez em quando que deve ser perfeita para surfar com um swell grande. Nesse lugar o vento é mais rajado mas certamente dá para velejar. Um dos nossos tripulantes, o Jens, também faz kite e nos divertimos muito na água.

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Cabo Verde realmente tem um cenário e praias incríveis, mas o ponto alto do país é certamente o povo. Nos sentimos várias vezes como se estivéssemos no Brasil, não só porque eles falam português, mas porque o jeito e maneira de ser é bem parecida com os nossos nordestinos. As pessoas mais simpáticas que conhecemos na ilha foram:

  • Simone, uma menina nascida e criada na ilha, e seu namorado Diogo, um Português que chegou por aqui há 4 anos e se apaixonou pelo lugar. Os dois nos receberam super bem e nos mostraram os melhores lugares da ilha;
  • Jair, instrutor de kite na praia de Salamansa. Ele ensinou todas as crianças a velejarem e é o único instrutor certificado da ilha (e-mail: jair.kitesurf@hotmail.com). Ele também em dado momento resgatou a prancha da Sarah em alto mar, graças a Deus!
  • Elder, um cara gente fina na marina de Mindelo, que conseguiu um lugar ótimo para o nosso barco e estava sempre a postos para nos ajudar com os cabos, e qualquer coisa que precisássemos para o barco.
  • Odair, motorista local que nos levou para passear pela ilha, sempre nos contando todas as histórias do local (e-mail: odairramos27@live.com.pt). Ele nos contou uma história maluca que há uns anos atrás, milhares de quilos de hashish vieram parar na costa de Mindelo, os locais, pensando que era algum tipo de chocolate ou comida, comeram e até deram para os animais. E adivinha? Ficou todo mundo doidão durante meses até que as autoridades entenderam o que estava acontecendo.
  • As meninas na praia de Salamansa ficaram encantadas pela Sarah e vice versa. Eram muito simpáticas, tagarelas e trouxeram uns muffins caseiros para vender (ainda bem que não tinham nenhum tipo de “chocolate” neles).

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Conforme escrevemos no ultimo post, o cabo que segura o lazy bag quebrou durante a travessia das Canárias para Cabo Verde. E sabe o que isso significa? Que eu tive que escalar o mastro, de novo! Quarta vez desde que compramos o barco. Sabe que quando estávamos com a ideia de comprar o barco, essa era uma das minhas preocupações… mas ai eu pensei… Quantas vezes eu realmente vou ter que subir nesse negocio? A realidade é que nunca! Certo? Errado! Eu já tive que escalar essa porcaria muitas vezes (até demais para o meu gosto). Na verdade dessa vez só tive que subir uns ¾ da atura, o que dá menos medo, mas as vezes entravam umas rajadas de 30 de nós de vento e eu me agarrava naquele mastro que nem um Koala, jezuuuuuis! Mesmo morrendo de medo acho que fizemos um excelente trabalho e o lazy bag está bem melhor que antes. Tenho que agradecer ao meu amigo marinheiro Paolo, que me ajudou a escalar e a consertar os cabos, o cara é ponta firme.

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O João, que foi a pessoa que ficou mais tempo com a gente no barco até hoje (mais de um mês), se despediu da gente em Cabo Verde e agora seguirá de volta para Lanzarote nas Canárias para continuar seus estudos de Yacht Master. Ele nos ajudou muito a velejar de Portugal até as Canárias e de lá até aqui. Iremos com certeza sentir falta dele daqui pra frente. O Timm, nosso tripulante da Suécia, também se despediu por aqui e retornou para a Escandinávia. Ele é um camarada gente boa e vamos todos sentir falta dele. Espero que a gente volte a se encontrar pelo caribe para podermos ir fazer uns mergulhos juntos.

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E como o time não pode seguir desfalcado, conseguimos um reforço direto da Russia! O Phil e o Arthur são nossos mais novos tripulantes que farão a travessia do Atlântico com a gente. (detalhe, a foto abaixo foi tirada na chegada deles as 11 da manhã!!!)

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Então para essa próxima travessia, além dos Russos, continuaremos velejando com o nosso glorioso amigo Italiano, Paolo, e o Jens, nosso marinheiro Dinamarquês. Esses caras estão com a gente desde as Canárias e não podíamos ter gente melhor para fazer essa travessia conosco. Eles tem ótimas experiência em velejo, e mantiveram a calma durante os momentos mais críticos, os dois são bem positivos e sempre a postos para ajudar quando preciso.

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E antes de partimos, passamos pelo mercado local para abastecer nossa cozinha com frutas e verduras frescas, peixe e carne. Também aproveitamos para comer pela ultima vez o prato mais típico da ilha, a Cachupa! Delicia!

Cachupa

E para completar essa semana, a melhor notícia é que o Feijão terminou seus 30 dias de repouso pós cirurgia, e está a mil, nosso monstrinho voltou ao que era. É tão bom ver ele correndo por ai, pulando que nem uma cabra maluca.

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E agora é hora da nossa maior travessia do Atlântico… da África até o Caribe. O interessando é que se fossemos daqui até Fernando de Noronha (nosso lugar preferido no mundo) seria até mais perto, só dois terços do caminho, mas o Brasil faremos mais tarde, um dia, quem sabe… Agora, bora até o Caribe minha gente, e rezar por um bom vento que nos leve até lá!

 

Sobre o autor

Renato Matiolli

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