Dog lovers Panama Vida a bordo

Canal do Panamá: Do Atlântico ao Pacífico

Ipanema in the canal
Escrito por Renato Matiolli
Acordamos uma manhã nas águas do Caribe e formos dormir no final do dia boiando nas águas do Pacífico! Simples assim, por incrível que pareça! Isso é o Canal do Panamá.

Valeu USA por ter substituído os Franceses na tentativa de construir o canal e conseguido finalizar esse incrível projeto de engenharia. Valeu Panamá por nos deixar passar.

Bom, como eu reclamei até no ultimo post sobre o Panamá, dessa vez eu tenho que dar o devido valor à eles. A operação do Canal do Panamá é impecável. Eles são bem sérios e super profissionais.

Para resumir, você tem apenas que seguir 6 passos para conseguir cruzar o Canal com o seu barco:

  1. Liga pro Canal e agenda uma data para ir até Colón para fazer a medição e inspeção do barco (tem que ligar e/ou mandar email umas duas vezes depois para reconfirmar o dia/hora).

  2. Vai até Colón, mede e faz a inspeção.

  3. Paga a taxa do Canal num banco em Colón. Acredite se quiser, custa menos do que mil dólares para qualquer barco com menos de 50 pés (catamaran ou monocasco) cruzar, incluindo todos os custos.

  4. Liga no Canal de novo para agendar o dia de cruzar. (tem que ligar de novo umas duas ou três vezes para reconfirmar dia/hora).

  5. Ir até Colón um dia antes de cruzar e reportar a sua chegada e posição pelo VHF.

  6. Cruzar o Canal

Há também a opção de contratar um agente para fazer esse trabalho. Não é obrigatório e realmente não recomendamos, a não ser que você não fale uma palavra de ingles ou espanhol. Começamos contactando três agentes diferentes. Todos foram super lentos em responder, confusos e pediam para que a gente preenchesse toda a papelada que na verdade eles deveriam estar fazendo. Nossa impressão foi que esses agentes são meramente burocráticos. Acabam atrasando o processo e tentam fazer com que ele pareça bem mais complexo e difícil do que realmente é. E claro, tudo isso por uma taxa básica de umas centenas de dólares. Decidimos tentar fazer nós mesmos e como dissemos, foi super fácil, simples e rápido.

Então, voltando para os 6 passos… Fizemos do passo um ao quatro assim que saímos de San Blas, antes de irmos para o estaleiro começar a trabalhar no barco. Ligamos para o Canal e agendamos para ir até Colón dali há alguns dias. Velejamos até lá, medimos o barco, fizemos a inspeção e pagamos, tudo no mesmo dia. Velejamos até Puerto Lindo, tiramos o barco da água no estaleiro da Linton Bay Marina e começamos a trabalhar no barco. Alguns dias depois ligamos no Canal e marcamos a data para cruzar.

Dois dias antes de sairmos de Puerto Lindo, nossos três tripulantes da travessia do Pacífico chegaram. Primeiro o Henrique, que é meu primo, o médico. Depois o Fábio, nosso “wild card”, o único que ainda não conhecíamos pessoalmente, ele entrou em contato com a gente pelo facebook depois que viu nosso anuncio da travessia que postamos por lá. E por ultimo, o Caio, meu amigo do meu antigo trabalho no Brasil. Eu vou falar mais sobre esses caboclos mais pra frente em futuros posts.

Em seguida velejamos até Colón e assim que chegamos avisamos as autoridades do Canal que tínhamos chegado pelo VHF. Na manhã seguinte por volta das 5am o prático do Canal foi entregue no nosso barco. Ele é a pessoa que faz a travessia toda do Canal com a gente para garantir que sai tudo como planejado. Ele fica encarregue de toda a comunicação com o Canal e garante que a gente mantém um bom ritmo. Cada barco que cruza tem um prático. O Canal tem várias comportas e muitos barcos cruzando ao mesmo tempo de um lado para o outro, eles garantem que cada um está no lugar certo na hora certa.

Full crew and Javier

O Canal tem três comportas subindo para o Lago Gatun, depois do lago são mais três para descer até o Oceano Pacífico. A maior parte dessa travessia você acaba mesmo é motorando pelo lago. Para garantir que a agenda do Canal é cumprida, não é permitido velejar pelo lago, tem que ser no motor mesmo, os nossos trabalharam duro nesse dia. Claro que o ápice são realmente as comportas que sobem e descem os barcos uns 8 metros de altura cada.

Enquanto a gente subia e descia as comportas, tínhamos que dividir o espaço com algum barco cargueiro gigante. A gente era posicionado bem na frente ou atras do monstro. A gente ficava lá encurralados entre ele e as portas enormes de metal das comportas. Certamente um bom teste das minhas condições cardíacas.

Squeezed

Durante essas subidas e descidas das comportas éramos amarrados com mais dois veleiros. O Ipanemucho velho de guerra, por ser mais largo, ficava sempre no meio, com um monocasco de cada lado. Nós éramos o motor do pacote e eles nossas defensas chiques.

Ipanema's fenders

A ultima comporta chegando no Pacífico fica mais ou menos perto da Cidade do Panamá, e é onde os turistas que fazem o tour do Canal ficam para observar esse projeto incrível de engenharia. Por sorte, o Caio tem um irmão muito gente fica que mora no Panamá, o glorioso Ciro! Ele foi super gente boa de vir nos ver passar o Canal e tirou algumas fotos que ficaram TOP do Ipanema dentro da comporta! Como voar drone não é uma opção, não pudemos tirar nenhum foto aérea, que certamente teriam ficado iradas.

Cyro 1  Cyro 2

Ipanema in the lock

Como já se era de imaginar, o Feião não estava nem ai para o acontecimento todo do dia. O gordinho faz mais o estilo astista e não fica extremamente emocionado com grandes obras de engenharia.

Feijao dormilao

Já a nossa tripulação, estávamos todos fascinados com a experiência. E foi assim que cruzamos o continente Americano pelo meio.

Last gate

Nessa noite fomos dormir boiando nas águas bem mais geladas do vasto Oceano Pacífico.

Ipanema Panama

Como já falei outras vezes… um pequeno passo para a humanidade mas um gigante passo para o Ipanemucho!

Estamos mega animados com o que vem pela frente no Pacífico!

Sobre o autor

Renato Matiolli

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