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Cuba: Uma experiência antropológica

Escrito por Renato Matiolli

Eu realmente não gosto de não ter uma opinião concreta sobre um assunto, mas acabei deixando Cuba com sentimentos confusos sobre a situação toda do país. Visitar Cuba é com ir de volta ao passado, e realmente te obriga a parar para pensar. Por um lado ficamos entusiasmados com toda a mudança que esta acontecendo por lá atualmente e a potencial transformação que está por vir, realmente esperamos que as próximas gerações tenham mais oportunidades, mas por outro lado, ficamos muito tristes em ver que tantas pessoas não tem acesso à coisas básicas que nós acabamos nem dando valor no dia a dia. A parte confusa é que acabamos de viajar por vários países do Caribe e a nossa impressão foi que em Cuba, mesmo com todos os problemas, foi o lugar que vimos mais alegria e harmonia pelas ruas. Então de certa forma alguma coisa eles estão fazendo certo, esperamos que durante a sua transformação consigam manter essa parte positiva da sua essência. Que desafio mas que momentos empolgantes estão por vir! Viva Cuba!

Saímos do paraíso que é as Bahamas e velejamos até Cuba. Durante a travessia noturna pescamos um atum gigante que podia alimentar um pequeno exército. Que briga que foi para tirar o bicho da água! Não tem nada a ver com aquilo que vemos na TV.

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Quando se chega em Cuba pelo mar o cenário é maravilhoso. Entramos na baía de Santiago de Cuba por uma passagem estreita, que mal dá pra ver de longe, você só enxerga e entende mesmo por onde tem que passar quando se está bem pertinho. Conforme você vai entrando na margem leste tem um lindo forte que um dia protegeu essa baía.

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Cuba foi bem diferente de qualquer lugar que já estivemos antes. Como já era de se esperar, essa visita não teve nada de kite, surfe ou mergulho. Na verdade, se você quiser esportes aquáticos você encontra de tudo, mas para nós essa visita à Cuba foi definitivamente para conhecer as pessoas e melhor entender o regime do país. E foi uma visita bem intensa em termos de sentimentos, me trouxe muitas memórias e reflexões. Essa emersão realmente faz com que você pense sobre o mundo em que vivemos, as desigualdades e os diferentes caminhos que cada país acabou traçando.

Por vários motivos andar por Santiago foi como se estivéssemos voltando ao passado. Muitas vezes parecia que estávamos numa cidade pequena do interior do Brasil. Parecida com a cidade em que os meus avós cresceram e viveram. Essa viagem me fez pensar muito sobre as oportunidades que eles tiveram e as escolhas que fizeram na vida, como migrar para o Brasil e explorar o interior do país. Nenhum deles nasceu ou morreu rico, mas conseguiram correr atrás de seus sonhos, construir uma família e dar uma vida e educação decente para as próximas gerações. Acredito que eles devem ter deixado esse mundo se sentido realizados. Eu fico pensando se muitos Cubanos podem sentir o mesmo.

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Claro que essa visita também nos deixou pensando muito sobre os Cubanos que viveram e os que ainda vivem no regime atual, e nos perguntamos que tipo de oportunidade eles tem na vida. E também se o fato deles serem privados de alguns direitos que consideramos básicos, deixa eles menos realizados ou infelizes.

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Decidimos visitar Santiago que é a segunda maior cidade do país, mas que mesmo assim ainda não mudou muito, para poder vivenciar a verdadeira Cuba. A cidade recebeu recentemente a visita do Papa, e com isso alguns dos prédios e a igreja principal ganharam um banho de tinta, deixando o centrinho lindo.

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Mesmo assim, você não precisava caminhar muito longe para ver que nem todos os edifícios estão assim em bom estado. Há apenas alguns quarteirões as construções são muito mais simples e inacabadas. Na verdade, as casas pareciam muito ao que podemos encontrar em várias cidades do Brasil.

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Claro que o ápice da viagem foi conhecer as pessoas. Los Cubanos são incríveis! Logo no primeiro dia conhecemos o Roberto, que depois de muito papo acabamos convidando para jantar com a gente e conversamos muito sobre o país. No dia seguinte ele nos levou para conhecer a cidade, caminhamos pelo centro todo com ele. Realmente gostamos muito de conhecer as pessoas e bater papo com elas. Claro que tudo isso foi só uma impressão superficial pois ficamos pouco tempo, mas a sensação é que elas são muito mais tranquilas e estão muito mais em harmonia do que vários outros países por onde passamos no Caribe recentemente. Nos sentimos bem seguros andando pelas ruas de dia e de noite, mesmo claramente parecendo turistas.

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Aparentemente os Cubanos gostam de procriar, a gente viu um monte de crianças brincando loucamente pelas ruas. E enquanto observávamos, eu não podia deixar de pensar no que será que o futuro reserva para elas. Esperamos que no mínimo elas tenham acesso a muito mais informação e muito mais coisas do que os seus antepassados.

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Já dá para ver e sentir as pequenas mudanças acontecendo, então o futuro é promissor. Cuba está sozinha nessa jornada e realmente esperamos que eles escolham o caminho certo pois todas as pessoas que conhecemos por lá merecem um futuro brilhante.

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Amamos os Cubanos! Viva Cuba!

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Para concluir, tenho que dizer que deixamos o país tristes de não podermos ter ajudado mais. Por mais que receber turismo já ajuda um pouco, nos sentimos mal e superficiais andando pelas ruas fazendo perguntas idiotas e tirando um monte de fotos. Para eles é super difícil conseguir ter acesso à coisas simples, e até mesmo ter condições de pagar por elas. As pessoas nos pediam coisas diferentes, não é como em outros países que as pessoas pedem esmola ou tentam te vender coisas inúteis. Por exemplo, as mulheres pediam sabonete e shampoo, as crianças pediam papel e lápis de cor, o oficial da imigração pediu super bonder, o cara da alfandega perguntou se não tínhamos anzol pra dar, e assim por diante. Alguns a gente conseguiu ajudar e demos, mas muitos não. Também nos perguntavam várias vezes: “Vocês vão voltar para nos visitar de novo, certo?”. Sentimos muito mal de não poder ter ajudado mais, queríamos muito ter nos planejado melhor, sabido melhor sobre essa situação para poder ter levado mais coisas para dividir com eles. Por isso se você for visitar Cuba, pesquise melhor, pense nas maneiras como você poderia ajudar e o que poderá levar para compartilhar com eles. Coisas simples como produtos de higiene básica e lápis, caderno, etc, para as crianças já será um bom começo.

Sobre o autor

Renato Matiolli

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