Jamaica Pessoas & Cultura Yoga

Jamaica: Cadê o Reggae?

Escrito por Renato Matiolli

Infelizmente a Jamaica foi a maior desilusão da viagem até agora. Tínhamos altas expectativas pela musica, gente, a ilha em si e até tínhamos planos de fazer vários mergulhos. Mas só as montanhas e a vegetação realmente estavam de acordo com aquilo que tínhamos em mente. Claro que foi apenas uma impressão breve e superficial, mas infelizmente saímos do pais sem aquele sentimento de “foi curto demais” ou “queremos voltar aqui um dia”.

Nossa chegada em Montego Bay foi um tapa na cara. Os funcionários da marina são extremamente mal educados e mal humorados. Nem precisamos dizer que os oficiais do governo que fizeram as formalidades da nossa entrada no país não eram nem um pouco diferentes, não é? E passamos por um monte de gente, entre Oficiais da Imigração, Alfândega, Autoridade Portuária, Saúde e Serviços Veterinários. Levamos um tempão e uma porrada de papelada para conseguir dar entrada na Jamaica só para então descobrir que andar pelo país de barco é um pesadelo. Resumidamente, se quiséssemos ir até a próxima baía tínhamos que voltar a fazer o mesmo processo tudo de novo, quase como se estivéssemos saindo e entrando no país, tudo de novo, e assim para cada baía ou praia que quiséssemos ancorar. Foi ai que decidimos deixar o Ipanema quieto ancorado no mesmo lugar e ir conhecer o país de carro, em vez de ter que lidar com todo esse povo mal humorado e sua burocracia infernal inúmeras vezes. Os oficiais também “gentilmente” confirmaram algo que já nos preocupava: o Feijão estava proibido de sair do barco, eles realmente não aceitam nenhum tipo de animal de fora. Tadinho, ele até tentou se vestir como os locais numa última tentativa de se misturar, mas infelizmente não funcionou.

DSC03290_Fotor

Para falar a verdade, a gente sabe que essa primeira impressão ruim pode acontecer e muitas vezes até acontece em inúmeros países pelo mundo, mas ai a medida que você vai conhecendo as pessoas no dia a dia as coisas tendem a mudar. Infelizmente não foi o caso por aqui. Conforme fomos tendo que lidar com taxistas, a caixa no supermercado, a senhora da lavanderia, o cara da loja de aluguel de carro, vendedores de rua, e assim por diante, fomos nos sentindo cada vez pior e menos bem vindos. Todo mundo parece meio que de mal com a vida. Cadê aquele povo engraçado e alto astral do filme Cool Runnings?! Claro que essa foi a impressão que tivemos e não é de maneira alguma a regra geral. Talvez estávamos apenas num momento de inferno astral… sei lá!

P1270232_Fotor

Bom, já que não dava para conhecer de barco, fomos alugar um carro. O plano era encontrar uma rádio que tocasse aqueles reggaes clássicos e sair rodando por ai. Mas, acredite se quiser, não achamos nenhuma radio que tocasse um reggae gostoso de se ouvir, aqueles das antigas, só dava uns tipos de rap meio pesados, um inferno. Até perguntamos para algumas pessoas mas ninguém nos sabia dizer. Enfim…. mas pensando bem, acho que isso também pode acontecer no Brasil, não é que a gente encontre Bossa Nova em cada esquina, certo? Acho que talvez eu esteja ficando velho e vivendo no passado. Mas se era bom, pra que mudar?

Desculpa por mais essa ultima reclamação, mas essa realmente eu acho importante contar. Não existem peixes na Jamaica! Você só encontra uma porrada de redes e armadilhas de pescas por todo lado, os corais estão vazios de vida. No supermercado chegamos a ver uns peixes-loro e garoupas super pequenos aos pares nas geladeiras. Muito triste ver peixes ainda tão pequenos sendo vendidos e consumidos desse jeito.

Bom, mas vou deixar de negatividade e contar as coisas boas também. Decidimos ir numa longa busca de um lugar chamado “Blue Hole”, que era uma fonte natural com água de um azul intenso, muito bonito. Quando chegamos lá, eles tinham cimentado todo o redor da fonte e instalado uns canos para fornecer água para a comunidade local. Uma pena, mas mesmo assim ainda conseguimos ver o azul cobalto lindo da água, e a viagem valeu a pena, passamos por uma estrada entre as montanhas que são completamente tomadas por uma vegetação exuberante cheia de coqueiros, o visual é incrível.

P1270184_Fotor  P1270177_Fotor

Também conhecemos duas pessoas que nos marcaram, primeiro foi um garotinho numa barraca de frutas na beira da estrada, muito fofo e brincalhão. As frutas que a mãe dele vendia eram deliciosas! Pena que não compramos mais. Depois teve um cara que nos ajudou indicando o caminho até o Blue Hole. Na Jamaica eles falam inglês, mas com um sotaque forte, bem legal de se ouvir mas muito difícil de se entender. Então paramos esse cara típico Jamaicano na rua para pedir ajuda com o caminho, ele bem que tentou nos explicar mas ficamos todos com cara de confusos, até que ele me viu sentado no banco de traz e com ar de alívio disse : “Ufa, Rasta Man, você me entende, certo?” Claro que eu não tinha entendido nenhum palavra até então, mas o que importa? Rasta Man? Eu? Demais!! “Yeah Rasta Man, eu te entendo”!

P1270173_Fotor  P1270147_Fotor

Bom, e chegou a hora de nos despedirmos da Bia e da Matchu. As duas foram hospedes incríveis e vamos sentir muita falta delas. No ultimo dia a Bia achou um cartão nosso do Ipanema que diz SUP, Kite, Mergulho, Yoga, etc. Ela rapidamente virou com uma carinha triste e disse que não tínhamos feito a parte da Yoga. Assim que a gente achou um gramado lindo corremos para fazer umas palhaçadas e umas posições de Yoga para ela ficar feliz. Como sempre a Matchu também quis participar, e a Sarah brincou de professora de Yoga.

P1270285_Fotor  P1270249_Fotor

P1270256_Fotor  P1270263_Fotor

P1270290_Fotor

E agora, Fabio, Sarinha, Feijão e eu seguiremos viagem em direção à Providencia, uma ilha da Colômbia. Separa ai um arroz de coco e umas arepas que estamos chegando!

P1270219_Fotor

P1270196_Fotor

Em relação a Jamaica, acho que se um dia você quiser visitar esse país, será melhor ir para um daqueles resorts all-inclusive.

Fui!

P1270151_Fotor

Sobre o autor

Renato Matiolli

Deixe um comentário