Ilhas Marquesas Ilhas Sociedade Velejo

Travessia do Pacífico:
Marquesas às Ilhas Sociedades

Sunset south pacific
Escrito por Renato Matiolli
Essa perna do Pacífico foi nossa quinta maior travessia até hoje. Foram mais ou menos 750 milhas náuticas desde Nuku Hiva nas Ilhas Marquesas até o Tahiti nas Ilhas Sociedades. Foi a travessia que menos planejamos e que tivemos o menor numero de tripulação. Durou 6 dias em alto mar e tivemos todo tipo de condições climáticas. Dias de velejo super tranquilo com a gennekar, até dias mais intensos com vento forte e ondas com as velas totalmente risadas. Mas o ponto alto dessa travessia foi a companhia da nossa amiga Bia e um espetáculo de bioluminescência que jamais vimos antes.

Desde a nossa chegada nas Ilhas Marquesas algumas coisas começaram a falhar no barco. Tivemos problemas com o motor do bote, gerador, guincho da âncora, compressor de mergulho, motores do barco, etc. Então em vez de seguir com os planos de velejar pelas Ilhas Tuamotus por 6 meses, decidimos ir direto para o Tahiti. As Tuamotus são uns atois isolados, iria ser praticamente impossível conseguir as peças que precisávamos. Achamos que no Tahiti iria ser mais fácil encontrar e concertar as coisas. Então de repente decidimos fazer essa travessia longa.

Sunset at the flybridge

Em questão de travessias, até hoje fizemos duas bem longas, que foram as principais pernas do Atlântico e do Pacífico:

  • Cabo Verde até Barbados: 2,070 milhas náuticas
  • Galápagos até Marquesas: 3,017mn

E quatro longas que duraram em torno de uma semana:P

  • ortugal até às Ilhas Canárias: 660mn
  • Ilhas Canárias até Cabo Verde: 880mn
  • Panamá até Galápagos: 964mn
  • Marquesas até o Tahiti: 750mn

Para todas essas seis travessias tivemos pelo menos mais três tripulantes nos ajudando. Exceto a última, onde tivemos apenas a Bia. Por sorte ela arrasou. Ela tem a melhor atitude possível, ajudou muito, foi corajosa e ao menos tempo cautelosa. Em resumo, perfeita! Muitíssimo obrigada Bia, teria sido um inferno fazer esses 6 dias sem você para nos ajudar a tocar o barco!

Bia starfruit  Bia jumps

E como recompensa ela assistiu ao maior espetáculo que algumas vez vimos em alto mar. Certamente bateu aquela noite onde vimos cometas brilhantes zigue-zague ando debaixo dagua”. Dessa vez foi ainda mais incrível.

A noite começou com um entardecer maravilhoso e um pôr do sol lindo.

Bia at sunset

No comecinho da noite estava bem escuro, a lua ainda não tinha saído, o vento estava fraco e o mar lisinho. Estávamos velejando tranquilamente, batendo papo, apenas as luzes de navegação e de alguns instrumentos estavam ligadas. De repente vimos o que pareciam ser umas bolhas verdes brilhantes bem perto da superfície ao redor do barco. Mas elas passavam rápido por nós e não conseguíamos ver direito o que eram. Apagamos todas as luzes para tentar ver melhor no escuro o que eram essas coisas brilhantes, mas ai elas sumiam. Quando ligamos as luzes de volta as tais bolhas verdes brilhantes reapareceram. Parecia que elas estavam sendo alimentadas pelas nossas luzes de navegação.

Então decidimos apagar todas as luzes e fomos buscar nossa lanterna mais potente. Ligamos, apontamos pro mar e desligamos. E a coisa mais incrível aconteceu!!! O mar se iluminou com centenas de bolhas verdes, muito brilhantes, de todos os formatos e tamanhos, em vários níveis de profundidade, exatamente onde tínhamos apontado a lanterna. Estávamos velejando num mar de bolhas verdes brilhantes, a cena perfeita para um filme doido de Hollywood. Mas era real. Elas eram muito brilhantes e estavam por toda a volta do barco. Algumas eram tão grandes quanto uma bola de basquete, como a cabeça de uma água viva gigante sem os tentáculos. Foi um momento incrível. Acho que nenhum de nós três estava acreditando naquilo. Eu nunca tinha ouvido falar de nada parecido.

Ficamos brincando com as luzes por um tempão. Você apontava a lanterna pro mar e elas iluminavam por um tempo e conforme elas iam ficando pra trás iam lentamente se apagando no escuro. Dava até para escrever teu nome no mar com a lanterna, ai era só apagar e ver o resultado nas bolhas brilhante. Surreal. Acho que é praticamente impossível conseguir tirar foto ou filmar esse fenômeno com uma maquina comum. Bem que tentamos. Mas ficou gravado na nossa memória. Vai ser uma daquelas noites inesquecíveis.

Em relação ao velejo em sim, os primeiros dias foram perfeitos. O vento estava fraco, vindo num ângulo entre 80 e 100 graus. Essa é a única condição onde eu gosto de usar a gennaker com a principal totalmente aberta (nossa maior area vélica). E é certamente a condição perfeita para o barco andar perto da velocidade real do vento. Tinha uns 8 nós de vento e estávamos indo a uns 6 nós de velocidade sem grande esforço.

Mas, como nem tudo é perfeito, nos últimos dias da travessia, enquanto estávamos navegando entre as ilhas Tuamotus, o vento e as ondas aumentaram. Tiramos a gennaker, abrimos um pouquinho a genoa e a principal totalmente risada. Ai foi só esperar até chegar no Tahiti

Full sails plus

Mas, como nem tudo é perfeito, nos últimos dias da travessia, enquanto estávamos navegando entre as ilhas Tuamotus, o vento e as ondas aumentaram. Tiramos a gennaker, abrimos um pouquinho a genoa e a principal totalmente risada. 

A passagem pelas Tuamotus foi extremamente breve, mas nos fez querer voltar ainda mais a esse belo arquipélago.

Passage through Tuamotus

Sunset at Tuamotus

Então a gente simplesmente esperou até chegar ao Tahiti. Que ilha incrível. Não vamos querer sair dessa região tão cedo.

Arrival in Tahiti

Sobre o autor

Renato Matiolli

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