Dog lovers Panama Vida a bordo

Puerto Lindo: Hora de Partir

Time to go
Escrito por Renato Matiolli
Nossos dias no Panamá estão chegando ao fim. Aproveitamos e curtimos muito o tempo que passamos em San Blas, as ilhas realmente são um paraíso tropical. Para melhorar, ainda conseguimos economizar um pouco para poder fazer as melhorias que queríamos no Ipanema antes de seguirmos rumo ao Pacífico. Agora chegou a hora de ir a Puerto Lindo, fazer as ultimas manutenções preventivas antes de seguirmos rumo ao Oeste.

 

Sabe que no final acabamos dando uma baita sorte com o “timing”. Duas semanas antes de irmos embora de San Blas houve uma grande mudança para os barcos que “moram” nas ilhas. O Congresso Kuna, dos índios locais, decidiram realmente colocar em prática antigas regras que incluíam a proibição de receber pessoas nos barcos usando a estrada e lanchas (operadas por eles) que levam e trazem pessoas da Cidade do Panamá.

Tivemos sorte que já estávamos com data marcada para partirmos, mas infelizmente muitos dos nossos amigos que continuam por lá, estão sofrendo com essa proibição. Antes de partir ainda tivemos dois grupos de amigos que já tinham férias marcadas para San Blas e não tinham como cancelar em cima da hora. Com a ajuda de alguns amigos Kunas conseguimos que eles chegassem até ao Ipanema. Mas tenho que confessar que foi quase que uma operação de guerra, parecia que estávamos traficando turistas!

Depois que nossos últimos hospedes saíram, aproveitamos para curtir os ultimos dias de San Blas e conseguir nos despedir das pessoas e das nossas ilhas preferidas. Em seguida partimos para Puerto Lindo, que fica há 8 horas de navegação, uma marina e cidadezinha no continente do Panamá.

Passamos um mês com o barco no estaleiro. No final, conseguimos fazer tudo o que queríamos. Mas… Tenho que dizer que terminamos meio confusos com o sentimento que ficamos sobre fazer manutenção do barco no Panamá.

 

 

Por um lado, conseguir peças sobressalentes no Panamá é razoavelmente fácil. Você encontra bastante coisa em Colón e na Cidade do Panamá. Também é fácil mandar vir coisas dos Estados Unidos por um preço razoável.

Infelizmente, por outro lado, conseguir que as coisas sejam feitas em Puerto Lindo é um pesadelo. Acho que qualquer pessoa que já tenha feito obras em casa vai saber do que estou falando. Comparado com a experiência que tivemos em outros países, os trabalhadores por aqui estão na sua maioria bem abaixo da média. Sabemos dos riscos de contratar mão de obra e tentamos sempre fazer tudo o que podemos nós mesmos. Mas é impossível fazer tudo sem demorar meses. Então sempre que vamos com o Ipanema para o estaleiro, fazemos parte do trabalho nós mesmos e a outra parte a gente contrata mão de obra “especializada”.

A gente sempre contrata serviços por trabalho feito, e não por dia. Mesmo assim, eles falam que vai ser fácil, e que não vai levar mais do que dois dias. Ai começa a dor de cabeça. Eles começam a trabalhar e nunca terminam. Passamos horas e dias a fio correndo atras de cada um, tentando caçar eles pelo telefone e WhatsApp. Geralmente depois de uma semana eles aparecem com as desculpas mais esfarrapadas e com o trabalho pela metade. Você volta a explicar tudo o que ainda precisa ser feito, para dai dois dias voltar a ter que correr atras deles outra vez. E o ciclo se repete. Inúmeras vezes. E a maior parte daquele “tempo” que sobraria por você ter contratado mão de obra especializada para você poder focar em outros trabalho que precisam ser feitos, acabam sendo perdidos correndo atrás das pessoas, revisando o trabalho delas e tendo que fazer um micromanagement da tal mão de obra especializada.

Engraçado que quando pessoas da Venezuela chegam no Panamá procurando trabalho, os Panamenhos costumam reclamar muito falando que eles estão vindo roubar seus empregos. Realmente me custa entender esse argumento. Eu acredito em mercado livre e que o mundo não deveria ter fronteiras. Todo mundo deveria poder ser livre de ir e vir e trabalhar onde e quando quiser. Certeza que esse mundo teria menos ineficiência.

Talvez a gente deveria ter feito como os nossos amigos do veleiro Good Run. Não contratar nenhum servico e fazer tudo nos mesmos. Ou talvez estamos ficando muito velhos para isso. Não tenho certeza da melhor estrategia.

Acabamos por contratar apenas quatro pessoas que já conhecíamos e gostávamos. Mas… como profissionais… tenho que dizer que foi pesadelo gerenciar:

  • Lixar e pintar o casco: Acabou levando quatro vezes mais tempo do que havíamos acordado e muito tempo correndo atras deles. Tivemos que mudar três vezes de pessoa para terminar o trabalho;

  • Trocar todas as capas do sofá de dentro e fazer almofadas novas para os sofás de fora: Super gente boa e muito simpática, mas acabou levando oito vezes mais tempo para terminar o trabalho do que acordado. E no final acabou ficando um pouco pior do que era. Ela certamente liderou o ranking de desculpas esfarrapadas. Não cumpriu com datas nem horários de entrega. De qualquer foi sempre muito gentil e simpática e continuamos acreditando nela mas tomou muito paciência e supervisão minuciosa do trabalho;

  • Pintar e fazer trabalhos com fibra de vidro e gel coat: Um cabra nota mil. Na verdade o único que apareceu todos os dias para trabalhar conforme combinado. Mas, em relação a qualidade do trabalho, foi uma confusão. Para ser sincero eu até me entretinha com a confusão dele, mas a Sarah estava a ponto de estrangular o coitado. Ele nos lembrou muito do Carpinteiro que contratamos em Cartagena. Quando estava para concluir o trabalho, ele nos disse que está com a visão muito ruim. Dava para ter adivinhado!

  • Mecânico: Outro cara super gente boa que a gente gosta muito, e realmente competente! Ele entendo de motor. O problema é que ele acabou passando muito do trabalho a ser feito no Ipanema para o filho que está começando a aprender com ele. O fato é que parte do trabalho que contratamos foi bem feito, e de certa forma resolvido. Mas, o pior foi que enquanto eles mexiam para arrumar o que precisava ser arrumado, quebraram outras coisas pelo caminho. Acabamos tendo que mandar vir partes sobressalentes dos EUA para resolver, gastamos mais dinheiro e perdemos mais tempo, o que acabou atrasando a nossa saída de Linton. 

O unico cabra feliz o todo tempo nessa historia foi o Feijão. Esse genio não se estressa com nada. Ele é um verdadeiro guru.

No final das contas, acho que só o Feijão esta mesmo correto. Isso tudo faz parte da vida de morar em barco é não podemos nos queixar muito.

Bom, desculpa ai mas esse foi meu lado amargo. Isso tudo agora já ficou para trás!

Depois que o barco estava pronto, os nossos ultimos dias foram excelentes. Nós at é tivemos um churrasco de despedida com alguns dos melhores amigos que se pode encontrar ao redor do mundo. 

Tem mais estoria em volta dessa mesa que uma mente muita criativa possa imaginar. Pessoas incriveis!

É hora de partir, cruzar o Canal do Panamá e curtir as ilhas do Pacífico!

Sobre o autor

Renato Matiolli

Deixe um comentário