Colombia Dog lovers Vida a bordo

Sapzurro e Região:
De volta à Colômbia

Escrito por Renato Matiolli

Gostamos tanto de San Blas que decidimos passar outra temporada por aqui antes de cruzar para o Pacífico. Para tal, tivemos que sair do país para renovar nossos visas Panamenho. Foi ai que decidimos vir conhecer um lugar que já haviam nos recomendado: Sapzurro na Colômbia.

A travessia até aqui foi incrível. Quanto mais você avança por áreas menos visitadas de San Blas as ilhas continuam lindas mas agora sem vários barcos nas ancoragens.

Conforme você chega mais perto da Colômbia as vilas Kunas são mais tradicionais já que não recebem tantos turistas. O cenário também muda, mais perto do continente as praias clássicas de areias brancas são substituídas por ilhas mais rochosas.

 

Durante essa travessia de três dias, três coisas inesperadas aconteceram. Primeiro, o guincho da âncora que acabamos de substituir quebrou. Não conseguíamos descer nem subir a âncora. Essa é uma das piores coisas que podem acontecer num barco, principalmente no nosso pois temos uma corrente super pesada de 12mm com uma âncora de 33kg na ponta. Estávamos num lugar bem remoto e eu não faço ideia de como consegui, mas concertei o bendito guincho. Acho que quando a gente sabe que estamos isolados nos força a ser bem mais criativos.

Segundo, fomos atingidos pela maior onda até hoje! Estávamos navegando em alto mar usando os mapas incríveis do Bauhaus. Ele sempre fala para não usa-los para navegação, mas depois de passarmos meses navegando por San Blas passamos a confiar muito neles. Eles são de longe as melhores cartas para navegar nessa região. Bom, e lá íamos nós navegando por onde o mapa apontava que havia mais de 50m de profundidade, e realmente havia. Estávamos com a Gennaker posta, navegando tranquilamente mas essa vela é tão grande que atrapalha um pouco a visão na frente. De repente a profundidade reduziu para apenas 5m e ondas grandes começaram a quebrar em volta do Ipanema. Gezuuuuis!! Estávamos bem no meio daquela zona. Foi ai que uma onda grande quebrou bem em cima da gente e lavou o deck. Foi um tremendo barata voa. O barco chacoalhou e estalou para todo lado mas conseguimos escapar ilesos, apenas com um puta susto! Lição aprendida. Um naufrágio em Sapzurro seguiu nos lembrando diariamente que o mar não aceita muitos erros como esse. (Espero que minha mãe não esteja lendo isso.)

E em terceiro, vimos algumas tartarugas de couro nadando bem perto do barco. Avistar elas é quase tão legal e raro como ver um tubarão baleia. Essa é a maior espécie que existe e esta ameaçada de extinção. Elas são enormes e eu vi a primeira bem ao longe. Eu achei primeiro que era uma baleia piloto, a Sarah achou que era um tronco. Conforme fomos chegando mais perto elas quase não se mexiam, e passamos bem pertinho. Foi incrível!! Deu a maior vontade de pular na água para nadar com elas. (foto da emaze)

Depois de alguns dias finalmente chegamos na fronteira. Fizemos o check out do Panamá em Puerto Obaldia. Tínhamos ouvido coisas bem ruins desse lugar mas nem é tão mal assim e as pessoas foram bem simpáticas.

Em seguida fomos para Sapzurro, bem pertinho da fronteira. Um vilarejo super charmoso que não tem acesso por estrada, apenas por mar. Me lembrou aquelas vilazinhas perto de Paraty.

  

A partir de Sapzurro existem algumas trilhas bacanas pelas montanhas. Uma delas leva de volta ao Panamá até uma praia e vila chamada La Miel.

  

Uma outra super legal vai até a cachoeira La Diana, simplesmente maravilhosa bem escondida no meio da floresta, ha apenas 15min de caminhada da praia. O engraçado dessa trilha foi que o Feijão molhou as patas na cachoeira. Ai no caminho de volta começou a cair para todo o lado. Depois de uns dois rolas travou igual uma mula empacada. Moral da história… tivemos que carregar o gordinho todo o caminho de volta.

  

E a ultima vai de Sapzurro até Capurgana, onde fizemos a imigração para entrar na Colômbia. Capurgana é outra vila pitoresca, um pouco maior que Sapzurro, que também só se tem acesso por mar. Acho que os Colombianos são mais parecidos com os Brasileiros do que pensávamos, nos sentimos logo em casa por aqui.

  

Em Capurgana o Feijão encontrou um amigo local para ser seu “dog walker”. Ele estava claramente reticente em relação a falta de experiência do seu guia, mas tudo funcionou no final.

Essa ultima trilha é simplesmente maravilhosa, mas nada fácil, e depois de tanta chuva estava bem enlameada.

    

O coitado do Feijão quase que não chega, e nós todos decidimos voltar para Sapzurro de lancha taxi em vez de voltar caminhando pois estávamos exaustos! Mas valeu a pena. No ponto mais alto da montanha tem um miradouro maravilhoso onde paramos para descansar e tirar fotos das duas vilas lá em baixo, uma de cada lado (Sapzurro e Capurgana). O Feijão, como sempre, querendo participar de tudo, também decidiu subir nesse banquinho ai da foto, e com toda a sua desenvoltura acabou caindo de costas pelo barranco abaixo.

  

Ele mostrou mais uma vez toda a sua desenvoltura tentando se virar de volta nas quatro patas, com toda a habilidade de uma tartaruga ou barata que para de costas. E quanto mais ele se fazia o seu “break dance”, mais ele escorregava barranco abaixo. A cena foi simplemente hilária mas a Sarah quase que tem um enfarte.

E nessa trip tivemos a agradável companhia de uma amiga incrível, a Lalita. Ela é uma Chef Vegana e anda ensinando a Sarinha um monte de receitas deliciosas. Para mim, o carro chefe até agora tem sido o pão pita caseiro que elas andam fazendo. Ela também é professora de yoga e terapeuta. Ela tem nos mimado bastante com massagens e seu alto astral contagiante, é um prazer ter ela a bordo. Na verdade andamos um pouco enciumados já que o Feijão tem gostado mais dela do que da gente… mesmo ela sendo uma pessoa mais chegada a gatos que cachorro. Dá para acreditar? Como é que se pode confiar em alguém que gosta mais de gato que cachorro….? Bom, acho que a nossa querida Lalita é a exceção.

Quem dera poder continuar mais tempo por aqui. Mas chegou a hora de seguir viagem. Esperamos vários dias para o tempo ideal para cruzar, e parece que chegou a hora. Cartagena aqui vamos nós!

Até logo Sapzurro…

Sobre o autor

Renato Matiolli

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