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Sicília! Guiados pelo nosso padrinho local, Vicenzo!

Escrito por Renato Matiolli

E chegamos sãos e salvos na Catania, Sicília! Essa travessia foi a mais longa até hoje e o Boaretto e o Zé Cassab foram extremamente importantes para o nosso sucesso!

Infelizmente, logo depois que chegamos na Sicília o Boartetto teve que nos deixar para voltar ao seu trabalho no Brasil, mas no dia seguinte, um dos filhos do Zé chegou com a esposa, e de novo tínhamos uma nova equipe para o Ipanema! O Daniel e a Cecilia são um casal super alto astral com experiência em velejar que eles adquiriram ao longo dos anos com o Zé. O Daniel com seu senso de humor afiado está sempre a postos para fazer todo mundo rir, tirando sarro de alguém ou dele mesmo. A Cecília é uma fofa, sempre com uma atitude super positiva e ajudou muito com todas as tarefas do barco.

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E em relação a Sicília, a primeira impressão não foi muito boa, também, estávamos mal acostumados com a Grécia… onde a infraestrutura para receber viajantes como nós é bem mais convidativa, você sempre arranja um lugar para parar o barco no muro da cidade, em uma localização incrível, por apenas alguns Euros. Aqui, ou você ancora em uma baía, ou paga uma marina cara que não necessariamente tem uma boa infraestrutura ou localização. Então na Catania, aceitamos o novo sistema e acabamos pagando para ficar numa marina cara para conseguir fazer toda a papelada na imigração, descansar, ir ao supermercado, e poder deixar o Boaretto e receber os novos hóspedes com mais conforto.

E foi ai que nossa impressão da Sicília começou a mudar totalmente, quando começamos a sair para conhecer a Catania, que é incrível! É bem como aquela Sicília que a gente imaginava, comemos maravilhosamente bem (pizza para mim, claro!), a cidade é um pouco suja, barulhenta e desarrumada, mas cheia de vida, ao mesmo tempo que charmosa, imponente e cheia de estilo.

 

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Ai você começa a conhecer as pessoas e você passa a amar a Sicília! A gente veio achando que ia encontrar um “Il Padrino” bem ao estilo Al Capone, meio louco e durão, e acabamos encontrando um cara super gente boa, simpático e educado, que acabou literalmente nos apadrinhando e nos guiando por toda a Sicília! O nosso querido Vicenzo! Este gentleman cuidou da gente como se fossemos seus amigos de longa data, ele estava com seu lindo veleiro na mesma marina que nós, viu nossa bandeira brasileira, e veio logo puxar papo. O Vicenzo é um cara muito interessante, já morou em vários países, incluindo o Brasil, ele conhece o mundo, suas histórias, as pessoas e os lugares, e o mais bacana de tudo, ele adora compartilhar toda a sua sabedoria. Sempre que ele vinha nos visitar no nosso barco, ficávamos todos hipnotizados com sua sabedoria e simpatia.

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Nessa mesma marina na Catania nós também conhecemos o Didier, um simpático senhor francês, empresário extremamente bem sucedido, que tem o maior yatch que nós alguma vez já entramos. Ele também nos apresentou para o capitão do seu barco que nos deu várias dicas para nossa travessia do Atlântico.

Depois da Catania velejamos rumo ao norte, em direção a famosa cidade de Taormina, fotouma lugar lindo, no topo de uma montanha. Infelizmente, Itália em Agosto…. não tem como ficar mais cheia… então a cidadezinha que realmente é uma graça, perdeu um pouco de seu charme pela multidão que caminhava pelas suas ruazinhas. Mas, mesmo assim, conseguimos curtir e ainda comprar tickets para ir a Ópera no “Teatro antico di Taormina”, um anfiteatro greco-romano! Inacreditável! Figaro, Figaro, Figaro, Figaro. Fiiiigaaaroooo. Fiiiiiiiiigaaaaaaaroooooooo!!

Na manhã seguinte, mais uma aventura, tive que escalar o mastro de novo, dessa vez foi para consertar a antena do nosso rádio VHF. Eu tenho pavor de altura, e não foi uma experiência nada agradável, não só esse mastro é gigante, como estava balançando muito com a ondas dos barcos que passavam. Enfim… pelo menos trabalho concluído com sucesso!

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Da Catânia seguimos rumo ao norte, cruzamos para um cidadezinha pequena e charmosa chamada Scila na Calábria, onde infelizmente foi a hora de nos despedirmos do Zé (nosso hospedes com estadia mais longa até hoje – 15 dias!), do Daniel e da Cecília. Que família… já morremos de saudades deles.

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Depois de Scila, seguindo as dicas do nosso querido Vicenzo, continuamos rumo a Lipari, uma das ilhas Eolie, mas o vento não colaborou, ficou extremamente forte na direção contra, ai acabamos desistindo e retornamos para a costa da Sicília para o Capo D’Orlando, depois Cefalú, Mondello (Palermo) e finalmente Capo San Vito (nossa ultima parada na ilha antes de cruzar para a Sardenha). Infelizmente não planejamos tempo suficiente na Sicília, foi muito pouco para o tanto de lugares incríveis que há para se visitar nessa região, acabamos tendo que correr e perdemos lugares como Siracussa e as ilhas Eolie que queríamos muito ter visto.

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Em Palermo, nossos amigos Diego e Laura vieram visitar o Ipanema novamente. Eles vieram nos ver quando passamos por Atenas e ancoramos bem pertinho da casa deles, agora foi a vez de realmente se hospedarem conosco, conhecer um pouquinho da Sicília e cruzar para a Sardenha com a gente. Eles são um casal muito interessante, antenados, e com muita noção das atitudes necessárias que todos podemos fazer para começarmos a mudar um pouco o futuro do nosso planeta. Conversamos MUITO ao respeito e aprendemos muito, eles são simplesmente incríveis!

A Laura além de tudo é vegana e uma Chef exímia, ela inclusive tem o facebook e instagram “Laurinha na Cozinha” que vale muito a pena seguir! E eu que era totalmente ignorante ao respeito, aprendi o quanto comida vegetariana e vegana pode ser, não só mais saudável e ajudar a balancear um pouco esse nosso planeta doido, mas simplesmente deliciosa!! Juro! E olha que eu adoro um junk food, viu? Não podia acreditar. Já adotamos várias receitinhas deliciosas no nosso dia a dia por aqui, e inclusive aderíamos a campanha “Segunda Sem Carne”. O Diego, bom, o Diego é um cara nota mil, super gente fina, companheiro, e quis ajudar e aprender tudo no barco, esse ai logo logo vai se tornar um velejador sério. Eles são tão legais que estamos tentando convencer eles de ficarem com uma metade do barco e nós com a outa, o Feijão e o Pudim (o gato deles, igual aquele do filme do Shrek) podem ficar com a sala e o fly bridge.

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Bom, e chegou a hora de nos despedirmos da Sicília, e adivina? Estamos indo em direção a Sardenha e o Vicenzo continua nos guiando remotamente pelas águas Italianas. Não só eu decidi que quero ser que nem ele quando crescer, mas ele é o tipo de pessoa que nos faz ter orgulho e dizer que agora estamos começando a fazer parte dessa comunidade de velejadores que literalmente não tem fronteiras. Obrigado Vicenzo, você é DEMAIS!

Sobre o autor

Renato Matiolli

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