Santa Lucia Vida a bordo

Trabalho em St. Lucia: Hora de Cuidar do Ipanema

Escrito por Renato Matiolli

Esse post é sobre a nossa rotina cada vez que chegamos num país novo (para vocês não acharem que somos vagabundos de carteirinha) e uma lista de todos os trabalhos que fizemos no barco quando tiramos ele da água para manutenção (para verem que aqui não é só sombra e água fresca).

Os primeiros tres dias em St. Lucia foi só trabalho, trabalho, trabalho. Fizemos todas as coisas básicas de quem mora a bordo, e organizamos a estadia do nosso querido Ipanema no estaleiro. Gastamos uma fortuna, mas conseguimos resolver um MONTE de coisas, então ficamos MUITO felizes. O Ipanema agora está melhor do que alguma vez esteve.

Tivemos uns ventos muito fortes durante a travessia de Barbados, acabamos chegando bem mais rápido do que prevíamos em St. Lucia, então fomos para a Rodney Bay (na costa noroeste) e ficamos esperando o nascer do sol. Lá pelas oito da matina fomos atracar na Marina de Rodney Bay para fazer todas as formalidades:

  • Quando se chega num país você deve hastear uma bandeira amarela (bandeira Q), que significa que você está em quarentena e ainda não passou pela Imigração e Alfândega.
  • Normalmente só o capitão deve sai do barco e levar com ele os passaportes de todos os tripulantes. A primeira parada é a Imigração para fazer o check-in no país. Ele precisa preencher uma papelada (parecida com aquela que temos que preencher quando se chega num país de avião), e fazer uma lista da tripulação “Crew List”. Feito isso, todos os passaportes são carimbados.
  • Em seguida ele deve passar na Alfândega para preencher mais alguns papéis e fazer outro “Crew List”.
  • E depois passar no escritório da Autoridade Portuária para preencher uns documentos sobre o barco e mais um Crew List, isso para eles saberem que o seu barco estará navegando pelas águas deles.
  • Quando tudo isso estiver feito, ai todos estão liberados para entrar no país e você deve mudar a bandeira amarela, no lado direito do mastro, pela bandeira nacional do país, como respeito e cortesia para a nação que está te recebendo. Ai saímos para comprar a nossa.
  • P1200768_FotorEm resumo, essa coisa das bandeiras num barco funciona da seguinte forma:
    • No lado esquerdo do mastro você deve hastear as bandeiras do capitão e da tripulação (pode ser a bandeira nacional do país de cada um, ou alguma que tenha significado para eles);
    • Do lado direito do mastro sobe a bandeira amarela de quarentena que depois é trocada pela bandeira do país onde você se encontra;
    • E na popa do barco é a bandeira do país onde o barco é registrado (no nosso caso, os EUA).
  • Nós, por causa do Feijão, temos mais uma coisa para resolver cada vez que chegamos num país novo, temos que lidar com os Serviços Veterinários. Na verdade você tem que contactar eles com antecedência para solicitar uma Permissão de Importação (Import Permit), a Sarah normalmente escreve um email e depois faz follow up com telefonemas, até conseguir. Para entrar em St Lucia foi a mesma coisa, ela começou a falar com eles alguns dias antes, e depois de enviar por email toda a documentação do Feijulino, conseguiu a permissão por email. Mas quando você chega em cada país, você tem que combinar deles verem o cachorro ao vivo para te entregar o documento oficial e para você pagar uma taxa. Depois de algumas horas que estávamos na marina de Rodney Bay, finalmente conseguimos que um veterinário oficial do governo viesse até ao barco conferir o Feijão. Depois que ele verificou o chip, reviu os documentos e carteira de vacina dele, e nós pagamos, ele finalmente ficou liberado para entrar no país também.

Enquanto esperávamos na marina pela vinda do veterinário, conseguimos resolver algumas das tarefas básicas da vida a bordo:

  • Primeiro fomos encher nossos botijões de gás de cozinha
  • Em seguida fomos de ônibus até o shopping mais perto para comprar um sim card local para nosso celular
  • Também deixamos nossas roupas, lençóis e toalhas na lavanderia
  • E começamos a limpar e organizar o barco para os novos hospedes

Conseguimos sair da marina no mesmo dia,  logo depois que o veterinário oficial do governo passou pelo barco e liberou a entrada do Feijão no país. Fomos ancorar na baía de Rodney Bay.

No dia seguinte acordamos cedinho e levamos o barco até o estaleiro Rodney Bay Boatyard para ser tirado da água. É sempre um momento estressante, e dessa vez mais ainda pois a entrada era bem estreita. Eles ainda te fazem assinar um papel antes de entrar dizendo que eles estão isentos de qualquer problema que possa ocorrer durante o levantamento do barco (!!!). Por sorte deu tudo certo.

Decidimos tirar o barco da água pois durante a ultima vistoria que fazemos periodicamente no motor, vimos que o óleo de um dos sail drives estava bem esbranquiçado, o que significa que tem água salgada entrando. Para quem não sabe, resumidamente, o sail drive é uma peça entre o motor (que fica dentro do casco) e a hélice (que fica em baixo do casco, dentro da água). Água salgada dentro do sail drive não é nada bom e pode pode fazer um estrago rapidamente; infelizmente a única maneira de trocar a vedação é tirando o barco da água… e como você deve imaginar, não é uma operação barata. Sendo assim, aproveitamos para fazer vários outros pequenos reparos que estavam na nossa lista:

  • Primeiro trabalhamos bastante no motor com uma pessoa da Volvo:
    • Ele desmontou e limpou todo o sail drive, trocou a vedação e montou tudo novamente;
    • também aproveitamos para trocar o óleo;
    • Quando fizemos tudo isso, percebemos que uma das hélices estava bem solta, a ponto de sair voando por ai, então trocamos ela também;
    • Ele revisou o anodo que protege o sail drive e a vedação (que fica bem entre o lado de dentro e fora do barco)
  • P1200640_FotorDepois veio um ferreiro de Guiana para nos ajudar com várias coisas:
    • Ele começou com o sistema  de direção que andava bem duro, colocando muita tensão no nosso piloto automático. Ele desmontou aquilo tudo, limpou, tirou toda a ferrugem e deixou nossa direção levinha que nem manteiga. Demais!
    • Ele também nos ajudou a tirar um pino bem chato que fica na parte de traz da retranca, que segura umas roldanas por onde passam os cabos da vela. Uma delas tinha que ser substituída e a gente simplesmente não conseguia tirar o maldito pino do lugar, parecia que tinha nascido lá. Depois de dar umas porradas fortes com uma ferramenta ele conseguiu tirar e trocamos finalmente a bendita da roldana! Hurray!
    • E para concluir, a válvula de entrada de água do nosso gerador andava bem enferrujada, a coisa estava até perigosa, parecia que ia se soltar a qualquer momento, o que inundaria o barco… então ele tirou, limpou, e substituiu.
  • Também tivemos a ajuda de um cara cômico chamado Kelly, que além de trazer água de coco de presente para a Sarah, nos ajudou com toda a fibra de vidro do barco:
    • Nosso barco tinha uma batida na traseira que não tinha sido consertada direito, estava meio feia e desnivelada. Ele fez um ótimo trabalho lixando e consertando;
    • Também tinhamos dado uma baita pancada forte na lateral do barco quando tentamos atracar no porto de Barbados no dia que chegamos, que acabou ficando com uma pequena rachadura. Ele inspecionou e arrumou isso também;
    • Ele vedou bem uma goteira chata que tinhamos numa das cabines de traz que estava nos deixando malucos;
    • E para terminar, ele também tapou vários lugares pelo deck que estavam com pequenas lascas.
  • 12636852_10153233708435800_1053123733_o_FotorMas nosso ajudante principal foi um local chamado Murphy, ele nos deu uma mão com um milhão de coisas:
    • Ele começou pelo casco, limpado ele inteiro com uma mangueira de pressão, lixou e passou fita crepe em toda a volta para depois começar a pintar com uma tinta anti-incrustante;
    •  Ele também lixou e preparou os dois sail drives para serem pintado, que ele também acabou pintando com outra tinta especial;
    • Depois ele limpou e poliu todo o aço inox pelo barco, algumas partes já estavam ficando enferrujadas;
    • Ele também lixou toda a borracha em volta do barco para deixar elas branquinhas e limpinhas, com cara de novas
    • Ele escovou e lavou todo o deck;
    • E para concluir, ele poliu o casco e as laterais do barco.
  • Também fizemos várias coisas nós os dois:
    • Arrumamos e instalamos um novo controle remoto para o guincho da âncora;
    • Substituímos o disjuntor do guincho da âncora;
    • Limpamos o filtro e pré-filtro do dessalinizador;
    • Achamos mais filtros do dessalinizador para comprar;
    • Trocamos a braçadeira do cabo da vela principal;
    • Retiramos, limpamos e voltamos a instalar os filtros das válvulas dos porões para que elas voltassem a funcionar mais rápido de novo;
    • Fizemos a revisão básica dos dois motores (checamos nível do óleo, filtros, correia, etc)
    • Também trocamos o liquido do radiador de ambos motores
      • E enquanto fazíamos isso, eu derrubei um monte de líquido no alternador e quase queimei aquela porcaria. Corremos para desligar as baterias, sequei com ar comprimido de um dos nossos tanques de mergulho e taquei WD40 para tentar que a humidade saísse. Por sorte não quebrou nada. Ufa!

O mais legal é que agora, depois de todo esse trabalho, o Ipanema está com cara de novo! Não podíamos estar mais felizes!

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Sobre o autor

Renato Matiolli

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