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Travessia do Pacífico: de Galápagos às Marquesas

Seven crew members
Escrito por Renato Matiolli
Para a maioria dos velejadores em circum-navegação, essa perna da travessia do Pacífico é a maior que jamais farão. Acho que para nós não vai ser diferente. Dá para ver que estamos falando de uma travessia e tanto aqui. Depois de velejar 3.000 milhas náuticas de Galápagos até as Ilhas Marquesas e passar 21 noites no mar, chegamos na Polinésia Francesa.

Em resumo, a travessia foi a mais tranquila possível. Fora a parte de ser bem longa na verdade acabou sendo bem fácil. Tivemos muita sorte com o tempo, a tripulação foi incrível e todo nosso planejamento deu certo.

Saímos de Galápagos com quase nada de vento durante as primeiras milhas. Depois de um tempo deu para abrir as velas e ai o vento não parou até chegarmos nas ilhas Marquesas.

Pacific Crossing sunset

A principal decisão que tivemos que fazer durante toda a viagem foi logo saindo de Galápagos. Razoavelmente perto de lá tem uma zona muito conhecida por ter o mar mais revolto e tempestades fortes. Como queríamos obviamente evitar todas essa região, tínhamos que decidir se íamos passar ao norte ou ao sul dessa zona. Indo pelo sul havia mais chance de ter mais vento mas menos correnteza empurrando a gente em direção às Marquesas, e pelo norte seria o oposto. Decidimos ir pelo norte e acabou que foi a decisão certa. Durante a primeira semana o vento estava fraco mas o suficiente para empurrar a gente na direção certa e a correnteza ajudou muito!

Logbook

Durante as próximas semanas conforme íamos descendo mais para os sul o vento foi aumentando mas a correnteza diminuindo. O vento mais forte acabou criando ondas com períodos mais curtos o que fazia o barco balançar de um lado pro outro. Esse balanço deixa a vida dentro do barco desconfortável e a retranca dá umas pancadas se a vela principal não estiver cheia. Então nosso maior desafio durante esse período foi controlar a retranca para não ficar batendo tanto. 

Por sorte tínhamos a bordo uma tripulação nota mil. Um dos principais desafios durante travessias longas assim é saber lidar com o tédio e com o convívio diário num espaço confinado. A galera não só fez todos os turnos no comando do barco (nada de trabalho para o preguiçoso do capitão), como manteve um alto astral durante toda a viagem!

Feeding the crew

Também rolou uma competição de pescaria. Familia (Capitão e Primo) vs. os “intrusos” (Fabio e Caio). Tenho que confessar que eles deram um banho na gente… perdemos feio!

Ghini fish Fábio fish

A Sarinha fez um excelente trabalho no planejamento da comida e de alguma forma conseguiu fazer refeições fresquinhas e saudáveis todos os dias. O tempo passa e ela vai ficando cada vez melhor nesse assunto. Por exemplo, toda manhã a gente acordava e tinha que limpar o deck pois tinham lulas mortas que caiam pra dentro do barco durante a noite. Tinha normalmente umas 5-6 cada dia. Foi ai que ela teve a ideia de pedir pra gente começar a coletar elas. Ela limpava e ia guardando no freezer.

Em resumo, depois de uma semana tínhamos mais de 40 lulas. Almoçamos lula à dorê fresquinhas com arroz e purê de batatas! Uma refeição incrível e deliciosa no meio do Pacífico depois de mais de 15 dias em alto mar. Tenho certeza que a comida foi um fator bem importante para manter todo mundo de bom humor durante toda a viagem.

Feeding primo

Fresh fish food Fresh bread

O Feijão é super tranquilo durante travessias e ele foi uma ótimas companhia pra todo mundo. Ele dormiu sem parar, mais até do que o normal. Mas quando a linha de pescar corria sinalizando que tinha alguma coisa na isca era o primeiro a chegar nela. E claro que depois também gerenciava de perto a limpeza do peixe por uma módica taxa de peixe fresco.

Feijão high five

Sleepy head  Checking the fish

Feijão manager

E quando demos por nós estávamos chegando na Polinésia Francesa. Tínhamos completado a principal perna da travessia do Pacífico. Havíamos atravessado 3.000 milhas náuticas e tínhamos dormimos 21 noites em alto mar. Para manter a tradição do Ipanema, um grupo de golfinhos veio nos dar as boas vindas logo na chegada desse paraíso!

Dolphins welcome

Para ser mais exato, chegamos na ilha de Hiva Oa, que faz parte do arquipélago das Marquesas.

Arriving in Hiva Oa

Que lugar especial…  na próxima publicação escreveremos sobre esse lugar!

E se quiser saber mais detalhes sobre a viagem,  confere o mini doc que conta desde a parte dos preparativos! Tudo visto pelos olhos do nosso gordinho – www.youtube.com/c/sailipanema

Finally in Hiva Oa

Sobre o autor

Renato Matiolli

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