Ecuador Panama Velejo Vida a bordo

Travessia do Pacifico:
Panamá a Galápagos

Asa de pombo 1
Escrito por Renato Matiolli
Essa travessia do Panamá a Galápagos foi especial por vários motivos. Foi a primeira vez que cruzamos a linha do Equador com o barco. Foi a primeira vez que ficamos simplesmente boiando por um dia inteiro sem absolutamente nada de vento. Foi a primeira vez que pulamos no mar no meio do Oceano. E no final, chegamos não tão falada Galápagos… de barco! Irado, não?

Bom, acho que já está na hora de apresentar a tripulação que nos ajudou a chegar lá.

Crew onboard

Primeiro teve o Caio, um amigo do meu antigo trabalho. A gente chama ele de “Ghini”, por causa do sobrenome irado que ele tem Anteguini. Esse cara realmente não tem medo de pôr a mão na massa, é eficiente e muito inteligente. Ele é o tipo de cara que dá para contar. Quando era o turno dele eu sabia que podia realmente descansar. Quando chegamos ele já sabia quais eram as melhores 10 coisas para se visitar em cada ilha. Durante a travessia, ele aprendeu e até nos ensinou bastante sobre as constelações.

Fabio profile

Depois veio o Fabio. Ele era o único que a gente não conhecia antes. A gente chamava ele de “wild card”. Acredite se quiser mas recebemos mais de 70 pedidos de pessoas querendo cruzar o Pacífico com a gente. Em resumo, escolhemos o Fabio porque ele surfa, faz kite e tinha experiência em fazer e editar videos. Um ótimo parceiro para mim e alguém para nos ajudar a documentar a trip. Acabou que não tivemos assim muitas oportunidades de surfar ou velejar de kite, mas em compensação ele está montando um Doc irado da viagem. Aguardem! O Fabão é daquelas pessoas sempre de bem com a vida, positivo. Daria para ter ele com a gente no barco por anos, fácil fácil. Ele também fez com que o Ipanema ficasse bem mais classudo do que realmente é, afinal quem em são consciência veleja e pesca com camisa branca passadinha? Depois de alguns dias de travessia a gente já quase não tinha roupa limpa, mas o Fabão continuava lá impecável.

Primo profile

E por ultimo veio o Henrique… meu primo. A gente chamava ele simplesmente de “Primo” ou “Terror do Capitão”. Não escolhemos ele. Minha mãe disse que a gente tinha que trazer, afinal é família. Brincadeira… com um pouquinho de verdade. Por um lado ele é extremamente inteligente, excelente médico, gente boa e uma das pessoas que mais ajudou no barco desde que começamos a viagem. Por outro, ele está sempre bolando alguma doidera pra fazer. Enquanto ele está com aquele ar de que está planejando alguma coisa o capitão não relaxa. Pensa só, uma pessoa super sagaz, com um monte de tempo livre pra planejar coisas idiotas, fechado num barco com você, no meio do nada, por um tempão…?

Bom, Sarinha, Feijão e eu, mais esses três gloriosos cavalheiros formamos a tripulação da travessia até Galápagos.

Galapagos crew

Velejar perto da linha do Equador pode ser um pouco imprevisível. Essa travessia é conhecida por ter tormentas e ventos inconstantes vindos de todas as direções. Até sabemos de histórias de velejadores que tiveram que voltar para trás no meio do caminho. A gente estudou bastante as previsões e lá fomos nós. Decidimos sair num dia sem vento, motorando durante as primeiras horas. E deu certo! Logo em seguida o vento começou a aparecer, e por mais que não tenha sido da direção ideal, foi o suficiente para irmos rumo ao Oeste! Levamos 8 dias para completar as 964 milhas náuticas (quase 2mil km) para chegar até Galápagos! Foi longa mas bem tranquila.

Asa de pombo 2

Durante a travessia do Panamá a Galápagos meu primo, o médico, decidiu ensinar a gente um pouco de medicina. Como eu disse, ele está sempre planejando alguma coisa. Dessa vez, ele ensinou como aplicar anestesia e dar ponto. Não só isso, ele resolveu ser nossa cobaia. Eu tenho que admitir, ele tem coragem! A Sarinha sofreu mas lá conseguiu aplicar a anestesia e depois furou a orelha dele com linha e agulha, completando com um nó… isso tudo no meio do mar.

Os planos dele para essa travessia iam além. Para celebrar a passagem pela linha do Equador, ele se vestiu de pirata. Ele até trouxe um brinco para completar a fantasia e aproveitar o furo que a Sarinha fez na orelha dele.

Primo anestesia  Primo pirata

No dia antes de chegarmos em Galápagos o vento e as ondas simplesmente pararam. Ficou tudo imóvel, dando uma enorme sensação de paz. Nunca havia visto o mar desse jeito. Foi o dia em que cruzamos a linha do Equador pela primeira vez com o nosso barco. Todos a bordo estavam bem animados, até tomamos Champagne no café da manhã para celebrar!

Champagne

Desligamos os motores, baixamos as velas e ficamos ali, simplesmente boiando, no que parecia ser uma gigante piscina de borda infinita.

Calmaria

Também resolvemos pular no mar, nadamos e aproveitamos para dar uma limpada nos cascos. O que por sinal é um requerimento para se poder entrar em Galápagos.

Cruzar a linha do Equador pela primeira vez é bem importante para os velejadores. As pessoas celebram de diferentes maneiras, tudo em homenagem à Netuno, Rei do mar na mitologia Romana.

Já a nossa gloriosa tripulação, como bons Brasileiros, acreditamos em Yemanajá, Rainha do Mar, que nos protege, nos guia, e de certa forma controla nossos destinos. Jogamos flores brancas em agradecimento à sua constante benção e proteção, e pedimos para que continue olhando por nós!

Sarah Iemanja  Renato Yemanja

Captain Yemanja

Foi realmente um dia especial.

Sunset no wind

Um dia especial que fechou com chave de ouro, com um espetacular por do sol refletido nas águas calmas do Pacífico.

Crew sunset

Especial até para os padroes do nosso gordinho que saiu da toca e veio apreciar conosco o por do sol.

Feijao sunset

À noite tivemos o céu totalmente aberto e sem lua. Haviam tantas estrelas que fica até difícil acreditar que é o mesmo céu que vemos das cidades. Fomos dormir após uma aula que o Caio e o Henrique nos deram das estrelas e constelações.

Acordamos no dia seguinte com uma leve briza que nos levou até Galápagos, sãos e salvos.

Primo da Gennaker

Sobre o autor

Renato Matiolli

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