Dog lovers Itália

Trazendo o Feijão Para Sua Nova Casa

Escrito por Sarah Moreira

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Adotamos nosso desajeitado Bull Terrier Feijão a uns 8 meses atras quando ele ainda era bem picotchuxo, e já tinhamos a ideia de vir viver num barco. Bull Terrier é uma raça que nós os dois já gostávamos e depois de ler bastante ao respeito e descobrir que ele são bem preguiçosos, sabem nadar mas não amam a água (imagina ter tipo um Labrador pulando do barco o tempo todo?!!) e aguentam bem tanto o frio quanto o calor, pensamos que a raça seria perfeita! Lemos muito também sobre a questão de muita gente considerar que são cães agressivos, e descobrimos o quanto isso não é verdade, agora mais ainda depois de conviver com ele ver o quanto são na verdade amorosos, engraçados, leais e muito companheiros. Bom, quando chegamos no Canil Kadesh e eu bati os olhos naquele grãozinho de Feijão sendo pisoteado pelas irmãsinhas mais grandinhas e serelepes, foi amor a primeira vista.

Como tinhamos que preparar todo o barco, entender e aprender um zilhão de coisas, além de nos acostumarmos com a vida a bordo, decidimos que iríamos primeiro para Croácia nos instalar, e depois voltaríamos para pegar o Feijão. Deixamos ele durante o último mês lá no Canil Kadesh onde compramos ele, o Jorge e a Amanda, que são os donos do canil, são incríveis, super atenciosos e mimaram ele ao máximo durante esse último mês, além de me mandaram fotos e notícias do meu pequeno sempre que eu pedia. Além dos mimos da FullSizeRenderAmanda, ele ainda brincava 24h com os outros mais de 20 Bulls que moram no canil, então na verdade nem sei se ele sentiu assim tanta falta da gente… Mas eu simplesmente não via a hora de trazer ele para a nossa nova casa! 

Trazer um cachorro do Brasil para a Europa não é a cosia mais fácil do mundo, já que todos os países da América Latina ainda têm uma alta incidência de raiva e na União Européia ela está quase erradicada, então é um processo longo e um tanto burocrático. Eu senti que ninguém parecia saber 100% ao certo todos os passos, é preciso falar bem com as autoridades no brasil, a linha aérea que você vai voar e com as autoridades do país de destino, e tentar descobrir e fazer tudo o que os 3 pedem! Fale também com seu veterinário, se ele já tiver feito esse processo antes, também irá te ajudar bastante, como foi o caso da santa Dra Ana Luiza lá da Bichos e Caprichos do Leblon no Rio de Janeiro… ah como vamos sentir falta dela! Principalmente o Feijão que é o único cachorro que eu conheço que corria para a porta do veterinário, desconfio seriamente que eram os biscoitos e apertos que ele ganhava da Ana Luiza… Bom, segue aqui o passo a passo que fizemos, caso possa ajudar alguém:

  • Primeiro tivemos que implantar um microship no Feijão. Não doi nada, é do tamanho de um grão de arroz e fica na nuca. Esse processo pode ser feito com qualquer idade, mas muito importante, tem que ser feito antes de dar a vacina da raiva (se não ela fica inválida e tem que ser repetida). A vacina só pode ser dada com no mínimo 3 meses de vida do cachorro. Se ele já tiver tomado a vacina, ai você coloca o microchip e refaz a vacina.
  • Após passarem 30 dias da vacina, ai já é possível fazer a Titulação de Anticorpos Neutralizantes Para Raiva. Basicamente o veterinário coleta uma amostra de sangue e envia para um laboratório autorizado pela União Européia, que fica em São Paulo.
  • Se tudo der certo, após algumas semanas o resultado já fica disponível (tem que dar no mínimo 0.5 IU/ml) e você recebe o resultado primeiro por email e depois uma carta oficial do laboratório chega pelos correios. Mas o cachorro só pode viajar após exatamente 3 meses da data de quando foi coletado o sangue.

Após esses passos, ai você já estará pronto para comprar a passagem de avião para o seu cachorro. Se informe na linha aérea se eles levam na rota que você vai viajar, todos os requisitos, custos, e reserve sempre com antecedência pois muitas linhas aéreas só levam até 2 cachorros por vôo. É possível enviar o cachorro sozinho (pela parte de Cargo das empresas, mas é muito mais fácil se você for no mesmo vôo, mesmo que ele viaje num compartimento separado, que foi nosso caso).Agora, o processo está quase terminado! Quando você já tiver comprado a passagem e souber a data exata da viagem, você tem que marcar um horário na Vigilância Agropecuária Internacional  VIGIAGRO, que no nosso caso foi em Guarulhos, no Terminal 3, uns dias antes. Entretanto, o veterinário tem que emitir um certificado de saúde válido por 10 dias passando pela data da viagem. Ai você leva esse atestado + o certificado do microchip + carteira de vacinas + carta oficial do laboratório com o resultado da titulação anti-raiva + o seu passaporte para o escritório da VIGIAGRO (o cachorro não precisa ir), que em 48h emite e te fornece um documento oficial que permitirá que seu cachorro viaje e entre na Europa.

PassaporteTambém fizemos um passaporte para ele, não custa nada e é feito pelo Ministério da Agricultura , mas depois descobrimos que por enquanto ele só é valido para viagens ao Mercosul (Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela) assim como Colômbia, Gâmbia e Taiwan. Mas valeu a pena, o passaporte é um barato e agora serve também como a carteira de vacinação dele.

Esses são praticamente todos os passos a serem tomados. Mas é recomendável sempre consultar com a embaixada ou consulado do país para onde você for se há outros requisitos, há países da União Europeia, como Inglaterra e Malta, que são bem mais exigentes e pedem outras vaFeijao embarcandocinas também.

Agora só restava trazer finalmente nosso gorducho para cá! O Renato ficou com a missão de voltar para o Brasil para buscar ele. Como não há voos diretos entre Rio e Split na Croácia, e queríamos evitar ao máximo que o Feijão ficasse longas horas preso na casinha de transporte (sem comer e ir ao banheiro – coloque um compartimento para água na casinha!), decidimos levar ele de carro do Rio para SP, o Renato ficou lá uns dias na casa da mãe ele, e depois os dois pegaram um vôo de Guarulhos para Roma na Itália, onde eu estava ansiosamente esperando por eles.

Uma dica boa, é comprar a casinha de transporte com alguns meses antes da viagem, máximo que você puder, e deixar ela aberta com uma caminha confortável dentro, alguns petiscos e/ou brinquedos para incentivar que ele entre. Até ele se acostumar, para na se assustar no dia da viagem. o Feijão gosta tanto da casinha dele que até hP1120067oje mantemos ela no barco, acabou virando o cantinho dele e onde ele dorme (com a porta aberta) todos os dias. No dia do embarque foi só abrir ela que ele pulou imediatamente e dormiu o caminho todo, só acordou quando  Renato pegou ele em Roma. 

Aproveitamos para passear um pouco pela capital Italiana, tirar várias fotos e no final do dia, dirigimos 3h até Ancona e de lá pegamos um ferry boat que cruza o Adriático até Split. A viagem é bem legal e o Feijão pode ir ao nosso lado o tempo todo, até no Ferry! 

 

P1120029_Fotor  Colosseum III

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E por fim chegamos todos sãos e salvos no nosso querido Ipanema! Agora é torcer para que o Feijão curta essa nova vida, eu não sei não, mas acho que mais cedo ou mais tarde ele vai acabar roubando o lugar do capitão pois ele está adorando ficar sentadinho lá em cima no flybridge só vendo as pessoas e os outros barcos passarem.

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Sarah Moreira

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